A sua próxima banda larga

Fibra óptica, 3G, DSL, WiMax, cabo e PLC. Qual dessas tecnologias levará a internet aos usuários nos próximos anos

O Brasil chegou ao final de 2008 com 11,81 milhões de conexões banda larga, um crescimento de 45,9% em relação aos 8 milhões do fim de 2007. A popularização do acesso em alta velocidade se deu principalmente pelo crescimento no número de PCs vendidos, além de planos mais com preços mais acessíveis. As informações são do Barômetro da Cisco.
Um dos grandes responsáveis pelo salto ocorrido no ano passado foi o 3G. O acesso via modem 3G, que mal era contabilizado na pesquisa do início do ano passado, terminou o ano com 16,8% de todas as conexões de banda larga no Brasil. O ano passado também foi marcado pelo início de ofertas de novas tecnologias, como WiMax, PLC (banda larga via rede elétrica) e a FTTH (Fiber To The Home). Mas como deve ser o cenário da banda larga nos próximos cinco anos?

De acordo com Marcelo Ehalt, diretor de engenharia da Cisco, a tendência é que tenhamos uma evolução e um barateamento das tecnologias já disponíveis hoje no lugar do surgimento de novos meios de acesso. Para se ter uma ideia, em 2007 a velocidade máxima oferecida no Brasil era de 20 Mbps, ao preço de 487 reais por mês. Ao final de 2008, pagava-se 286 reais por uma velocidade de 30 Mbps.
“O custo do Kbps caiu muito. A velocidade não é mais um diferencial para as operadoras. O que contará são os serviços que estão atrelados ao pacote de banda larga, como IPTV, TV sob demanda, que demandam uma infraestrutura de alta velocidade”, afirma.
Veja agora quais são as perspectivas para as tecnologias de banda larga para as próximos anos:

VDSL
Atualmente, a tecnologia de fio de cobre – a mesma usada na telefonia fixa – está no padrão ADSL 2+, que pode chegar a velocidades nominais de 24 Mbps. A evolução natural é para o VDSL, sigla para Very-high-bit-rate Digital Subscriber Line, que atinge até 56 Mbps dentro de condições ideais de transmissão.
Assim como os níveis atuais, ela deve continuar a ter um ritmo forte de crescimento no Brasil. “Há mais de 40 milhões de linhas fixas no Brasil já instaladas. Então o potencial de crescimento para esta tecnologia é muito grande”, diz o executivo. A ADSL fechou 2008 com 6,9 milhões de conexões.

Cabo Modem
A banda larga via cabo utiliza as redes das operadoras de TV por assinatura e se apresenta como um serviço bastante estável, oferecendo velocidades nominais que podem chegar a 150 Mbps. Não deve haver uma mudança tecnológica muito grande nos próximos cinco anos, até porque a oferta máxima que há hoje é de 60 Mbps, da NET, o que mostra que ainda há muito gordura para queimar.
No ano passado, os assinantes por cabo ultrapassaram os 2,5 milhões no Brasil, segundo dados da ABTA (Associação Brasileira das TVs por Assinatura).

4G
Ninguém imaginava que a tal da banda larga móvel 3G iria pegar tão rápido. Nem as próprias operadoras móveis que penaram – e ainda penam – com a péssima velocidade de conexão causada pelo excesso de usuários numa infraestrutura recém-nascida. Os usuários de banda larga móvel saltaram de 602 mil ao final de 2007 para 1,9 milhão ao final de 2008.
O evolução do 3G é a LTE (Long Term Evolution), também chamada de 4G. “As redes 3G de hoje suportam velocidades de até 7,2 Mbps. Chegaremos a 21 Mbps com a rede LTE”, afirma Ehalt

WiMax
Há anos que se houve falar das maravilhas possíveis com uma espécie de Wi-Fi com alcance quilométrico (de até 50 Km), que pode atingir velocidades de até 1 Gbps. Mas, para que o WiMax vire uma realidade no Brasil, é preciso que haja regulamentação por parte do Governo Federal.
Se tudo correr bem para a tecnologia – leia se ela for regulamentada – veremos o WiMax como um dos grandes canais para ligar locais em que a banda larga atual nem sonha em chegar. Isso porque não há interesse comercial de operadoras móveis levar o 3G para cidades menores e nem condições de infraestrutura de fios e cabo para cidades afastadas.
Há projetos de cidade como Piraí e Parintins, que utilizam WiMax para conectar a cidade toda, inclusive notebooks em locais públicos por meio de uma rede Mesh – que converte WiMax para Wi-Fi. A cidade de Belo Horizonte usa o WiMax para ligar suas secretarias.

Fibra Óptica
A chamada FTTH (Fiber to The Home) fez a alegria de alguns paulistanos mais endinheirados no bairro dos Jardins. Por meio de uma rede de fibra óptica implementada na região, a operadora Telefônica oferece um link de 30 Mbps, além de serviços como IPTV.
Embora a FTTH suporte velocidades de até 100 Mbps, o futuro dela não será direcionado à adoção em massas, porque o custo da infraestrutura é altíssimo. De acordo com Ehalt, a fibra óptica será usada para levar conexão a troncos mais próximos de regiões sem conexão cabeada. E, a partir dali, seguir por outros meios – como o DSL – para os usuários.

PLC
Num país como o Brasil que, apesar das dimensões continentais, tem quase a totalidade de seu território coberto com energia elétrica, é de se imaginar que a banda larga via rede elétrica – a PLC – pode ser uma ótima saída. Mas apenas de se imaginar.
Na opinião do diretor de engenharia da Cisco, a PLC, que começou a se aplicar comercialmente há mais de 10 anos, perdeu a oportunidade de ganhar participação como canal de banda larga. “Eu a vejo muito mais como uma tecnologia de distribuição residencial de banda larga do que um meio para levar a internet para uma cidade inteira”, afirma Ehalt. Problemas de interferência em aparelhos eletrônicos são os principais desafios da PLC.

Reportagem extraída do site: http://info.abril.com.br/professional/network/a-sua-proxima-banda-larga.shtml

Comentários

Um Comentário em A sua próxima banda larga

  1. Éder
    27/03/2009
    0:22
  2. Embora tenhamos informação a respeito de bandas realmente “largas”, acho que ainda vai levar muito tempo para termos algo que se aproxime da metade do que é prometido… E olha que em Lorena por exemplo, nem tendo grana se consegue uma conexão sofrível Speed da Telefônica…